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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Capítulo 10 - Giovanna e Armandinho

Com a nova situação que se instalava na vizinhança da Praça XI a partir daquela fatídica noite de sexta-feira, tudo parecia estar fora do eixo. Tem coisas que acontecem na vida das pessoas como se fosse uma predestinação. Armandinho não saberia distinguir entre ocaso e a coincidência, mas o certo é que estava gostando daquele momento. Todos os vizinhos de Dona Conchetta ajudavam como podiam na tarefa de cuidar dos novos moradores. Um dos mais atuantes era Armandinho. Ao sair para suas entregas diárias com destino às casas das freguesas, sempre tinha tempo para dar uma parada e ver se precisavam dele na casa da italiana. Dona Conchetta já tinha percebido que além da boa vontade com os mendigos, o que chamava atenção daquele rapaz respondia por outro nome, Giovanna.

A bela morena Giovanna correspondia à altura. Parecia que ela sentia a presença do rapaz na casa. Era só o rapaz chegar para perguntar se precisavam de algo, Giovanna aparecia do nada para responder que estava tudo bem, tudo em ordem.

Essa rotina de Armandinho tinha colaborado com a melhora na forma como o rapaz se vestia. Além de melhorar a forma como se expressava. Nas idas de Dona Conchetta ao mercadinho, ela tinha reparado que aquele rapaz, apesar de bonito, mais parecia um burro xucro no atendimento aos clientes. Agora não mais. Era pura atenção. Dedicado e atencioso com todos. – O que será que aconteceu? Indagava-se Dona Conchetta.

Outra que havia percebido que algo estava mudado era Caetana, a fiel companheira de Giovanna. Ela já havia percebido que ali estava iniciando uma paixão que não poderia ser contida. Caetana não deixava por menos. Colocava lenha na fogueira de Giovanna.

Instava a amiga a buscar se aproximar cada vez mais do rapaz. Como se fosse ela a contemplada. Numa dessas visitas de Armandinho à casa de Giovanna, Caetana lá estava e após a saída do rapaz, comentou com a amiga:

– Gigi, o que você está esperando? – comentou Caetana sem tirar os olhos do chão, deixando no ar um cheiro de suspense.

– Como assim Caetana, do que você está falando?

– Ora Gigi você pensa que me engana? Tá na cara que você está caída pelo pobretão do mercado. – Caetana não poderia ter escolhido melhor as palavras. Desta forma iria despertar a ira da amiga.

– Ele não é pobretão não! – era a reação que Caetana aguardava de Giovanna. Ela não poderia ter mostrado mais interesse pelo rapaz do que defendê-lo da galhofa da amiga.

– Tá vendo? Já está defendendo o rapaz. Meu Deus do céu! Vocês acabaram de dar teto a dois mendigos, e agora você adota um pobretão. Você está parecendo a Madre Teresa de Calcutá – após isso, Caetana caiu em plena gargalhada, satisfeita com a piada rapidamente montada.

– Caramba Caetana, você não tem noção! – já refeita da armadilha que tinha acabado de cair, Giovanna pôs-se a falar sério com a amiga – Sabe Caetana, toda vez que vejo o Armandinho me dá um calor, sei lá, uma bateção no coração. Tenho vontade de correr e abraçá-lo. Será que ele sente o mesmo por mim?

– Só tem um jeito de saber! – Caetana soltou mais um de seus balões de ensaio. Disse isso olhando para suas unhas e assoprando-as, como se tivesse acabado de pintá-las.

– E qual é? – Giovanna caiu mais uma vez na armadilha da amiga – Vai Caetana, desembucha, diz logo.

– Olha amiga vou te dizer mais uma vez, e que seja a última hein. Você tem que pegar o Armandinho pelo braço, a força, levá-lo até o seu quarto, e...– antes que terminasse a frase, foi interrompida pela reação da inocente Giovanna que havia percebido que boa coisa não sairia da boca da espevitada Caetana.

– Cala a boca Caetana, você só pensa em besteiras!

– Uê, em mais o que você quer que eu pense? – Caetana disse isso acompanhada de uma careta de indignação. – Por acaso tem coisa melhor, tem?

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